Meditação de 13 de Março de 2018
Pr. Roberto Verburg

Um por todos

“Então Caifás, que naquele ano era o Grande Sacerdote, disse:

Vocês não sabem nada! Será que não entendem qe para vocês é melhor que morra apenas um homem pelo povo

do que deixar que o país todo seja destruído?”      João 11: 49-50

 

                Aqui encontramos o sumo sacerdote Caifás, que inconscientemente e involuntariamente fala uma palavra sábia. É como se ele estivesse profetizando, é como se ele tivesse se transformado num evangelista. A morte de Jesus beneficia todas as pessoas!

                Os líderes espirituais, reunidos, estão preocupados com a crescente simpatia demonstrada a Jesus. Agora, ele realizou outro milagre em Betânia: uma pessoa morta, Lázaro, ressuscitou e muitos acreditam em Jesus. Isso não deve dar certo, pois, logo todos irão acreditar nele e com isso os romanos deverão intervir. E se isto acontecer os sacerdotes certamente perderão seus belos cargos! Mas o sumo sacerdote, Caifás, sabe o que fazer.

 

                Caifás, sumo sacerdote no ano em que Jesus foi condenado. Não creio que ele fosse um sumo sacerdote apenas por aquele ano, porque os sumos sacerdotes eram nomeados para a vida toda. Mas "naquele ano" era Caifás. E a sua ponderação, que deu o ímpeto ao julgamento contra Jesus, chama a nossa atenção nesta reflexão.

 

                Há algo de triunfo sobre o modo como Caifás faz sua observação orientadora. "Vocês não entendem!" A propósito, ele poderia ter sido um pouco mais amigável para com seus colegas. "Vocês não sabem nada ...". Imagine ter que ouvir isso.

 

                Mas a consideração, do ponto de vista de Caifás, é muito correta: "É melhor que um homem morra pelo povo do que todo o país seja destruído". Não é assim que funciona? Jonas não fez o mesmo, convencendo os marinheiros de que ele deve ser jogado no mar? Para preservar as outras pessoas? “Um por todos” é um lema poderoso e que salva vidas.

 

                Se Jesus for sacrificado até mesmo o imperador de Roma deixaria Jerusalém em paz, pensou Caifás. Os líderes judeus estão presos num pensamento politizado e veem Jesus como alguém muito perigoso. Que seu Reino não é deste mundo, como Ele mesmo diz mais adiante no texto (João 18:36), não faz sentido para eles.

 

                Pior que é verdade o que Caifás diz, escreve o evangelista João. Mas diferente do sumo sacerdote que dizer. Inconscientemente e sem querer, ele pronuncia uma palavra sábia sobre Jesus e aponta Jesus como o Cordeiro que salvará a vida de todas as pessoas. Como sumo sacerdote naquele momento, uma profecia é proferida dos seus lábios.

                O Senhor Deus dá esta profecia através do seu Espírito a Caifás. Assim como Deus costumava usar Balaão nos tempos antigos para pronunciar belas palavras de salvações sobre Israel, agora usa Caifás para dizer palavras que desvendam o mistério da salvação. Pois "um por todos", é um lema muito familiar no Evangelho.

 

                Na frase “um por todos”, a palavra “por” tem dois significados: “em vez de” e “em benefício de”. Caifás quer dizer que: Jesus vai morrer "no lugar de" todo o povo. Mas o Espírito faz Caifas dizer: Jesus vai morrer "no lugar de" e também "para o benefício de" todo o povo. Contudo, a morte de Cristo em benefício do povo vai muito mais além: todos os que confiam n´Ele terão a vida eterna.

                Na verdade, é maravilhoso ver a conotação que o Espírito de Deus da às palavras de Caifás! Não há ódio contra os líderes judeus. Mas antes algo como: vocês estão tão próximo do mistério da salvação! O mau que vocês desejam, o Senhor transforma em algo bom.

                João também complementa dizendo que o Salvador morreu não em vez de e em benefício do povo judeu, "mas também para unir os filhos perdidos de Deus". João anuncia o amor de Deus além das fronteiras. Nós também estamos envolvidos, incluindo você leitor. Pois nós também somos muitas vezes resistentes e desconfiados, nossas ações e nossos testemunhos por vezes revelam a rejeição e a condenação. Mas mesmo através delas Deus realiza seu plano. Jesus foi inocentemente condenado à morte, para que nós possamos ser absolvidos ante o julgamento de Deus. A condenação de Jesus é a nossa absolvição. Imagine só... se Caifás pudesse ter visto isso!

 

Pr. Roberto Verburg